{"id":35625,"date":"2018-05-14T10:47:11","date_gmt":"2018-05-14T13:47:11","guid":{"rendered":"http:\/\/sitelovecraft.com\/editora\/?p=35625"},"modified":"2018-05-14T17:52:44","modified_gmt":"2018-05-14T20:52:44","slug":"entrevista-com-stuart-gordon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sitelovecraft.com\/editora\/entrevista-com-stuart-gordon\/","title":{"rendered":"Entrevista com Stuart Gordon"},"content":{"rendered":"<h3>Tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas de M\u00e1rio Jorge Lailla Vargas. Fonte: Site &#8216;Colonel\u00b4s Crypt&#8217;.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stuart Gordon \u00e9 um verdadeiro mestre do horror. Com uma carreira de mais de duas d\u00e9cadas criou alguns dos filmes de horror mais influentes e pavorosos de todos os tempos. Com seu inovador Reanimador, em 1985, se estabeleceu como um produtor que extra\u00eda novas facetas ao enredo dos filmes, do texto original de H. P. Lovecraft. Suas duas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 s\u00e9rie Mestres do Horror, Sonhos na Casa da Bruxa (Dreams in the Witch House), de H.P. Lovecraft, e O Gato Preto (The Black Cat), de Edgar Allan Poe, est\u00e3o entre os mais populares da s\u00e9rie. Foi o diretor de um dos melhores filmes lovecraftianos at\u00e9 agora: Dagon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Colonel\u00b4s Crypt: Obrigado por ceder teu tempo.<\/strong><br \/>\nStuart Gordon: O prazer \u00e9 meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>CC: Teu filme atual, Grudado, estreou no Festival do Filme Internacional, de Toronto. O que \u00e9 Grudado e o que te inspirou fazer esse teu recente filme?<\/strong><br \/>\nSG: Se baseia na hist\u00f3ria real sobre uma mulher que, com o carro, atropelou um homem sem casa e, em vez do levar ao pronto-socorro, o deixou na garagem enquanto ele ainda estava vivo. Quando li isso no jornal n\u00e3o pude acreditar. Era uma hist\u00f3ria chocante, ainda mais que essa mulher trabalhou como bab\u00e1 volunt\u00e1ria na casa de um cidad\u00e3o s\u00eanior. Eu queria saber o que a levou a fazer isso e o que qualquer pessoa faria, em seu lugar, com seu semelhante. Eis a quest\u00e3o que inspirou todo o filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Como foi a recep\u00e7\u00e3o em Toronto?<\/strong><br \/>\nSG: Fenomenal. Foi uma boa rea\u00e7\u00e3o. A audi\u00eancia realmente gostou do filme. Algu\u00e9m o descreveu como num jogo de hockey, se divertindo muito, rindo e gritando ao entrar na audi\u00eancia. Havia certa dificuldade de ouvir os di\u00e1logos durante os gritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: H\u00e1 uma data de lan\u00e7amento pra Grudado nos Estados Unidos?<\/strong><br \/>\nSG: N\u00e3o h\u00e1 lan\u00e7amento programado, mas acho ser\u00e1 ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Come\u00e7aste como sat\u00edrico, de viol\u00eancia estilizada, em tua carreira e agora apareceu um tom mais realisticamente brutal em teus recentes filmes como em Grudado, Edmundo, e Rei das formigas. O que provocou essa mudan\u00e7a? \u00c9 um reflexo de teu sentimento atual?<\/strong><br \/>\nSG: Acho que estamos nesse caminho. Infelizmente vivemos uma \u00e9poca muito violenta e percebemos as coisas horripilantes que as pessoas fazem \u00e0s outras. Muito piores que qualquer coisa que podemos sonhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Come\u00e7aste no teatro, organizando o teatro org\u00e2nico. Qual a diferen\u00e7a em encenar uma pe\u00e7a em vez de um filme?<\/strong><br \/>\nSG: S\u00e3o muito semelhantes. Em ambos os casos se tenta contar uma hist\u00f3ria. Um bom roteiro \u00e9 sempre a coisa mais importante. E, claro, os atores certos. Acho que o teatro, \u00e0s vezes, acaba exigindo mais porque, no final das contas, ao contr\u00e1rio de um filme, n\u00e3o podes parar e refazer tudo. Uma vez encenada uma pe\u00e7a, a uma audi\u00eancia, se tem de atuar durante duas horas, ou mais, sem parar. Num filme se tem sorte se conseguir capturar uma cena que se descortina, quando muito, durante um minuto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Uma das primeiras pe\u00e7as que dirigiste, de David Mamet, foi Pervers\u00e3o Sexual em Chicago (Sexual Perversity in Chicago)?<\/strong><br \/>\nSG: Uma pe\u00e7a antiga. N\u00e3o sei se uma das primeiras. Foi a primeira produ\u00e7\u00e3o profissional do trabalho de David Mamet. E era excitante trabalhar com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Inspiraste-te nos trabalhos de H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe. Foram a causa de teu fasc\u00ednio ao g\u00eanero de horror?<\/strong><br \/>\nSG: Um dos primeiros filmes de horror que vi foram adapta\u00e7\u00f5es, por Roger Corman, das obras de Poe A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher), O Po\u00e7o e o P\u00eandulo (The Pit and the Pendulum), e outras. Tent\u00e1vamos fazer com Lovecraft o que Corman fez com Poe: Uma s\u00e9rie de filme baseada nos textos de Lovecraft. Li Lovecraft quando adolescente e ver os filmes me fizeram ler Poe antes. Sempre me sinto bem quando encontro crian\u00e7as que me dizem ter come\u00e7ado a ler Lovecraft ap\u00f3s ter visto um de meus filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Lamento dizer que n\u00e3o li a hist\u00f3ria de Lovecraft.<\/strong><br \/>\nSG: \u00c9 uma hist\u00f3ria legal. Foi escrita em seis min\u00fasculos cap\u00edtulos para uma s\u00e9rie. Creio que com continua\u00e7\u00e3o mensal. Cada um com gracioso vigor, muita a\u00e7\u00e3o e humor. Muitos atribuem o humor a mim mas, na verdade, veio de Lovecraft.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Adaptaste uma de minhas hist\u00f3rias de Lovecraft favoritas pra Mestres do Horror: Sonhos na Casa da Bruxa.<\/strong><br \/>\nSG: Sim. Foi uma dos primeiros contos lovecraftianos que li. Um grande conto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Como chegaste a Mestres do Horror e por que escolheste adaptar obras liter\u00e1rios pras duas sequ\u00eancias?<\/strong><br \/>\nSG: Come\u00e7ou como uma s\u00e9rie de jantar \u00e0 qual todos os diretores de filme de horror foram convidados. Fiz\u00e9ramos um document\u00e1rio chamado Os Mestres do Horror, mas ningu\u00e9m teve chance de conhecer os outros porque \u00e9ramos todos entrevistados separadamente. Mick Garris disse que todos dever\u00edamos ir jantar juntos pra termos chance de nos conhecermos. E era t\u00e3o divertido que o encontro foi se tornando regular. Era chamada a reuni\u00e3o dos mestres do horror, no document\u00e1rio. Mick p\u00f4de montar um projeto de televis\u00e3o chamado Os Mestres do Horror, no qual cada de n\u00f3s poderia dirigir um espet\u00e1culo de 1h de dura\u00e7\u00e3o sem interfer\u00eancia ou censura. Sonhos na Casa da Bruxa era uma hist\u00f3ria de Lovecraft que h\u00e1 muito tempo eu queria fazer, mas que sempre estava tendo problema porque \u00e9 muito perturbada e envolve um sacrif\u00edcio de crian\u00e7a. Era uma muito dif\u00edcil de achar financiamento, mas Os Mestres do Horror nos deram carta-branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: \u00c9 um de meus epis\u00f3dios favoritos.<\/strong><br \/>\nSG: Obrigado. Eu estava muito orgulhoso disso e pensei que Jeffrey estava pasmo. Ficou muito parecido com o enforcado de Edgar Allan Poe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Sobre Casa do Reanimador. Ha um rumor de que estar\u00e1 na pr\u00f3xima temporada de Os Mestres de Horror.<\/strong><br \/>\nSG: N\u00e3o creio que estar\u00e1 em Os Mestres do Horror.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Como v\u00eas o horror nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nSG: Toda uma gera\u00e7\u00e3o auto-redefiniu. O que me interessa \u00e9 ver muito do que chamo filme de pestil\u00eancia. H\u00e1 muito cinema sobre pestil\u00eancia bio-criada onde as pessoas se transformam zumbi ou como no recente filme Invas\u00e3o (Invasion). H\u00e1 toda uma classe de filmes de bio-terrorismo, que considero um sub-g\u00eanero. Definitivamente zumbis. Nunca houve tanto filme de zumbi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: O que aguardar de Stuart Gordon?<\/strong><br \/>\nSG: Possivelmente outra adapta\u00e7\u00e3o de Lovecraft. Uma hist\u00f3ria chamada A Coisa no Umbral (The Thing on the Doorstep), na qual venho trabalhando com meu s\u00f3cio roteirista, Dennis Paoli, h\u00e1 anos. Encontramos-nos quando est\u00e1vamos na escola secund\u00e1ria. Soubemos um do outro com 14 anos de idade. Assim fomos amigos de juventude durante a maior parte de nossas vidas. \u00c9 um professor que escreve ao Hunter College.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Isso tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 longe de mim.<\/strong><br \/>\nSG: Onde vives?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Em Amityville.<\/strong><br \/>\nSG: [Risos] E est\u00e1s bem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Sim!<\/strong><br \/>\nSG: Uau! E onde teu interesse em horror come\u00e7ou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Sim! \u00c9 engra\u00e7ado porque crian\u00e7as n\u00e3o podiam falar sobre a casa e n\u00e3o pude falar sobre o filme de horror que h\u00e1 pouco vira porque foi julgado impr\u00f3prio \u00e0 idade. Mas, enquanto isso l\u00edamos O Cora\u00e7\u00e3o Delator e O Gato Preto na classe.<\/strong><br \/>\nSG: [Risos] Eram graciosamente horripilantes pra eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CC: Senhor Gordon, muito obrigado.<\/strong><br \/>\nSG: Me chames Stuart.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas de M\u00e1rio Jorge Lailla Vargas. Fonte: Site &#8216;Colonel\u00b4s Crypt&#8217;. &nbsp; Stuart Gordon \u00e9 um verdadeiro mestre do horror. Com uma carreira de mais de duas d\u00e9cadas criou alguns dos filmes de horror mais influentes e pavorosos de todos os tempos. 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